Como usar um Web Disk em Linux (Webdisk)

webdav - disco web conceitoAceitei o convite de Carlos Santos, da PTWS Alojamento Web, para partilhar um pouco da minha experiência, com um artigo que explicasse como implementei no meu sistema Linux o acesso directo aos alojamentos, afim de poder trabalhar mais eficientemente nos meus websites.

PTWS Alojamento Web disponibiliza, através do cPanel, a opção “Web Disk”, que não é mais que uma implementação do protocolo WebDAV. Esta opção permite a um ou mais utilizadores ter, de forma fácil e segura, acesso ao seu espaço de alojamento.

Dependendo se pretende apenas fazer alterações pontuais ou modificações regulares, poderá optar mais adiante pelo passo 2-A ou 2-B, respectivamente.

Este mini-guia parte do princípio que o utilizador tem algumas noções de Internet e do sistema operativo Linux. Se tiver dificuldades em realizar alguma operação, apresente a sua questão no fórum PTWS Alojamento Web, onde facilmente obterá ajuda.

 

1. Criar acesso WebDAV

cPanel web disk na PTWS

Comece por aceder ao cPanel do seu alojamento. Já na página principal, clique no item “Web Disk”.

A criação de uma conta WebDAV é semelhante à criação de uma conta de Email ou FTP: indique o novo nome de utilizador e senha, e defina a pasta de acesso. Tenha em atenção que, por defeito, este utilizador terá acesso à pasta definida e todas as respectivas subpastas!

Após gravar a nova conta, e ainda na página “Web Disk”, clique no botão “Aceder a Web Disk”, na mesma linha da conta agora recém-criada. Na página que surge de seguida, seleccione a opção “Nautilus” e tome nota do endereço que é indicado acima – recomendo mesmo que copie e cole num ficheiro de texto, pois ser-lhe-á necessário mais vezes.

Nesta altura já deverá ter disponível um acesso WebDAV. Passo de seguida a explicar como poderá usufruir desta funcionalidade: para a testar ou fazer uso ocasional, opte pelo método 2-A; para uso frequente, recomendo o método 2-B. Note que para usar o método 2-B necessita de ter acesso “root” ou “sudo” ao seu sistema.

 

2-A. Aceder ao “Web Disk” através da aplicação “Nautilus”

 

Aplicação Nautilus - Ligar ao Web DiskAbra o “Nautilus” e escolha a opção “Ligar a Servidor…” do menu “Ficheiro”.

Na janela, seleccione a opção “WebDAV seguro” e indique o servidor e porta. Deixe os restantes campos por preencher e clique em “Ligar”. Indique agora o utilizador e senha, e clique novamente em “Ligar”. Se tudo correu bem até aqui, deverá poder aceder imediatamente ao espaço de alojamento.

As vantagens deste método são a simplicidade e facilidade de uso. Em contrapartida, apenas o próprio “Nautilus” pode fazer uso da ligação, e certas funcionalidades (como definição de permissões) não estarão disponíveis.

 

2-B. Montar “Web Disk” no sistema de ficheiros

2-B-1. Instalar “davfs2”

 

Abra uma janela de terminal e execute o seguinte comando:
   sudo apt-get install davfs2
Poderá também usar outra aplicação, como o Synaptic, para fazer a instalação.

2-B-2. Preparar sistema

Fazer o “setuid” do executável:
   sudo chmod u+s /usr/sbin/mount.davfs

Adicionar o utilizador de sistema ao grupo necessário:
   sudo useradd -G davfs2 [utilizador linux]

Crie também a pasta onde será montado o “Web Disk”. Recomendo que use uma pasta dentro do directório “/mnt” e crie depois uma ligação simbólica (“symlink”) para uma localização mais conveniente para si:
   sudo mkdir /mnt/[domínio webdav]
   ln -s /mnt/[domínio webdav] ~/
Isto criará a pasta, e uma ligação para ela na raiz no seu directório pessoal. Pode copiar ou mover esta ligação para qualquer outra pasta, que ela continuará a funcionar.

2-B-3. Configurar “davfs2”

Abra o ficheiro “~/.davfs2/secrets”, e adicione no seu final uma linha com a seguinte informação:
   “[directório local do 'Web Disk']” “[utilizador]” “[senha]”
Por defeito este ficheiro apenas é legível pelo próprio utilizador, pelo que isto é relativamente seguro.

2-B-4. Alterar “fstab”

Abra o ficheiro “/etc/fstab”, e acrescente no seu final uma linha como a seguinte:
   [endereço webdav] [directório local do 'Web Disk'] davfs user,noauto,rw 0 0
Isto vai permitir montar o "Web Disk" mais facilmente.
 

A partir daqui já deverá poder montar o “Web Disk” executando simplesmente o comando “mount [directório local do 'Web Disk']”, mas como se torna um pouco incómodo ter de repetir sempre esta operação, podem criar-se dois scripts muito simples para automatizar as operações de montagem e desmontagem.
 

2-B-5. Criar scripts para facilitar montagem/desmontagem

Escolha uma localização conveniente (é irrelevante) e crie dois ficheiros com nomes sugestivos, como “montar [domínio webdav].sh” e “desmontar [domínio webdav].sh”.

Edite o ficheiro para montagem e adicione as seguintes linhas:
   #!/bin/sh
   gnome-terminal -x mount [directório local do 'Web Disk']

Edite agora o ficheiro para desmontagem e adicione as seguintes linhas:
   #!/bin/sh
   gnome-terminal -x umount [directório local do 'Web Disk']

Para poder executar cada um dos ficheiros, edite as suas permissões e defina-os como executáveis. Feito isto, basta-lhe agora executar os scripts para facilmente montar e desmontar os seus “Web Disk”. Ao montar a pasta deverá surgir-lhe uma pergunta relacionada com o certificado de servidor – terá de responder afirmativamente à pergunta para proceder à montagem. Esta questão pode normalmente ser evitada adicionando o certificado à pasta “~/.davfs2/certs”, mas, no caso particular da PTWS Alojamento Web, a forma como o certificado foi emitido impede esta solução de resultar.

Permissões do NautilusO método de montagem directa é mais difícil de implementar que o anterior, mas traz-lhe muito mais possibilidades:
 – pode facilmente editar as propriedades/permissões dos ficheiros remotos;
 – pode agora usar uma aplicação de sincronização para manter actualizada uma cópia local de todo o seu website (excepto, claro, as bases de dados);
 – pode usar o mesmo procedimento para mais de um alojamento, e manter sincronizados dois websites (ex: servidor PTWS e servidor de testes);
 – pode usar um espaço reservado no seu alojamento para trabalhar em colaboração com outras pessoas, ou partilhar informações entre vários computadores que possua;
 – etc!

 

Nota: A PTWS está sempre disponivel para aceitar artigos de convidados e interessados, sobre os mais variados temas. Contacte-nos para saber mais.

Sobre o Autor
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Sérgio Santos é o cérebro por trás da Mente Binária, microempresa que fornece serviços de manutenção Informática, programação Web e consultoria Tecnológica em geral. Nas raras ocasiões em que não está de volta de um computador ou script :), gosta de passar tempo com a família, fazer fotografia ou ler.
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